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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Gato da China

 
Era uma vez
um gato chinês

que morava em Xangai
sem mãe e sem pai,

que sorria amarelo
para o Rio Amarelo,

com seu olhos puxados,
um pra cada lado.

Era um gato mais preto
que tinha nanquim,

de bigodes compridos
feito mandarim,

que quando espirrava
só fazia "chin!"

Era um gato esquisito:
comia com palitos

e quando tinha fome
miava "ming-au!"

mas lambia o mingau
com sua língua de pau.

Não era um bicho mau
esse gato chinês,

era até legal.
Quer que eu conte outra vez?
 
José Paulo Paes

Para os alunos da 5ª A e B do Colégio Celestina

sábado, 17 de novembro de 2012

A Serenata


"Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu dessespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?"

                                                           Adélia Prado

sábado, 3 de novembro de 2012

Amanhece


Olha o tempero freguesa
Escuto todo dia ao acordar
O cantar da menina
Olha o tempero freguesa
O sol nem bem nasceu
E aquele cheiro verde a disseminar pela rua
Dando bom dia

Rita Moreira